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sábado, 6 de dezembro de 2014

O que se pode Classificar de peça de Arte - Parte 2

( Continuação do post anterior )
Se não Leu o primeiro artigo click aqui para Lêr

Mas por outro lado, pode acontecer que uma Peça de Arte, no sentido da expressão individual, possa nem sequer ser bonita e somos tentados a questionar a razão.








Se a Peça que é a genuína expressão da personalidade de um homem

falha em agradar os gostos daqueles treinados nas mais finas percepções,

alguma coisa tem que estar mal.







Se a opinião adversa vier em geral de entre os críticos,
pode-se assumir que eles estão certos e que o Artesão está errado.
Por exemplo,
a forma de uma Flor não é muito apropriada para ser um receptáculo para uma vela.
Acontece que muitas vezes que o criativo,
deslumbrado com a beleza de, digamos, uma Tulipa,
modele a Flor em Barro e a transforme num Candelabro.




Agora é óbvio que,
quanto melhor o modelo simular a Flor,
menos apropriada será para tal fim.
Para que o modelo seja o pesado o suficiente para se pôr a uso,
tem que estar bem distante do seu protótipo.
Se adoptarmos um design de um candelabro convencional
as folhas da Flor podem até aparecer em relevo ou a caír
mas teremos que ter sempre uma fundação sólida para que se considere usar.





Uma das formas favoritas dos Designer
é a de um ninho de pássaro feito no caule da Flor.
Aqui a mesma crítica se aplica. Um ninho é sempre construído para que a água escorra.
Nem os ninhos de lama são completamente estanque e a ideia é obviamente inapropriada.
É por isso importante que se evite copiar especialmente na imitação de materiais.



Barro Branco decorado com Vidrados
Artur Louro
Quantas vezes ouvimos "Que bonito, parece Bronze."

Isto, é claro, vem do observador casual
para quem a capacidade de imitação é agradável
uma ideia que não deve ser perseguida partindo do princípio de que imitar um material num outro diferente é Errado
em todas as perspectivas.




Nem é necessário.
O Barro é suficiente em si mesmo.
Existem tantos efeitos possíveis na Cerâmica
que não são possíveis com mais matéria nenhuma,
que é completamente supérfluo perseguir texturas e cores impossíveis.






Para que fique claro, essas coisas são populares mas isso não faz delas sãs de princípios nem verdadeiras no gosto.

( Continua )


domingo, 30 de novembro de 2014

O que se pode Classificar de peça de Arte




Não é minha intenção, nestas linhas, definir o que geralmente é apelidado de Belas Artes, Pintura e Escultura. Estas podem muito bem definir-se a si mesmas e eu não posso reclamar a capacidade de discutir sua definição.

No campo das artes aplicadas, no entanto, há certos princípios a ser observados, princípios que são frequentemente esquecidos pela lamentável separação das funções do Artista das do Artesão
É extremamente difícil marcar uma linha entre a Arte e o Artesanato. Por exemplo, um papel de parede, desenhado com Arte mas executado pela máquina na reprodução do trabalho do Designer, é uma peça de Arte, ou é um produto de fábrica?

Para mim, é as duas coisas. Normalmente, uma peça de Arte é produto da própria mão do artista. Revela a sua individualidade. É a linguagem em que ele próprio se expressa para a sua audiência. É "O Tom da sua Voz"




Tal peça pode ou não agradar a uma grande parte do público. E sempre será assim.
Um Artista, seja ele Poeta, Músico, Pintor ou Ceramista, é quem consegue ver mais que os outros.
O que ele vê ele tenta expressar aos outros mas é inevitável que por vezes seja mal compreendido.
Sendo por isso necessário que entregue a sua mensagem em primeira mão. 
Olhar para a réplica de um trabalho de um artista, é como ler um sermão ou uma oração de uma página impressa. Pode conter os ensinamentos mas o toque pessoal, o tom e o gesto, é perdido.
Mas há quem retire os ensinamentos de grandes Homens apenas dos Livros.
Há, ainda por cima, livros que nunca foram falados e no entanto contêm a mensagem. Da mesma forma que trabalhos, com origem nas mãos de grandes artistas só estão disponíveis para as massas na forma de reprodução.


O papel de parede é um desses exemplos. 
Não fossem as gráficas, estes belos padrões nunca teriam passado do estúdio, e ainda que seja óptimo que um Homem rico possa obter um Whistler para decorar a sala, é no entanto uma vantagem a não desprezar que se possa comprar um bonito padrão de papel de parede por medida.
Ainda que isto seja verdade,que não se encontre valor senão na qualidade da impressão, há outros exemplos. 
No caso do papel de parede a função da máquina é simplesmente transferir o devido padrão para o papel em si. Não tem identidade excepto como superficie. 
Mas quando uma mesa ou uma cadeira é formada de peças de madeira modelada por uma máquina de maneira uniforme, o assento ou o topo juntos por outra, e as pernas ou as costas estampadas ou esculpidas por uma terceira, a Arte ou individualidade é perdida pelo envolvimento da construção mecânica.




Ainda mais no caso da produção de Olaria ( Cerâmica ). Na prática comercial, não só a forma é desenhada sem ter em conta a decoração, assim como a mesma decoração é posta sobre várias formas, ou uma só forma que é usada como veículo para várias decorações diferentes.
Alguns resultados podem até ser agradáveis, até bonitos, mas mais por sorte que por intenção e nenhuma peça construída deste jeito deve reclamar o direito de ser chamada de peça de Arte.